A arte de educar nossos filhos

Educar os filhos não é bicho de sete cabeças.  Na verdade, pode ser uma atividade artística a se desempenhar. Ou porque exige muita criatividade, bom senso e jogo de cintura, ou porque não existe uma maneira única e correta de ser feita. Portanto, o resultado final é que definirá sua qualidade. O seu desenvolvimento é sempre, de certa forma, intrigante, fascinante, desgastante e cheio de surpresas. Assim sendo, essa história de educar os filhos, para mim, é uma arte.
De cara cabe dizer que por considerar o papel de educador uma atividade artística, sou da opinião de que á princípio as pessoas deviam buscar a originalidade neste exercício. Aquelas velhas e famosas frases: “Papai me ensinou assim, e é assim que deve ser” ou “Você é muito novo e não sabe como avaliar isso”, na grande maioria das vezes, esconde uma pessoa cheia de receios das mudanças ou idéias preconcebidas das coisas.
Plagiar a arte esconde o medo de quem não consegue criar. Fazer um papel exatamente como se viu alguém fazer para mim é plagio, portanto nunca será como o original... correndo-se o risco de conseguir ser pior.
Então, o que seria um ato educativo adequado e facilitador de crescimento? A resposta, com certeza, esbarra naquelas atitudes em que se dá a oportunidade ao educando/filho de descobrir seus próprios limites, seus próprios potenciais e seus próprios vôos, aja dessa maneira e haverá grande chance de se estar na direção certa.
Costumo, também, pensar que quando um filho vai além dos pais é porque seguiu um caminho adequado. Assim sendo, a atitude de proteção excessiva, muitas vezes pode ser inadequada no sentido de educar para a vida. Viver é correr riscos e, infelizmente, não se tem garantias. Aliás, olhem a sua volta e vejam com discernimento: aqueles pais que superprotejem os filhos na verdade estão acentuando e dizendo ao mundo o quanto estes filhos são “incompetentes” para a vida. É doloroso... mas é a pura verdade: superproteção pode significar enorme rejeição ou dificuldades em aceitar o outro como ele é.
Os superprotetores de plantão com certeza vão esbravejar: “Mas o mundo de hoje é duro... veja quanta violência... olhe os maldosos por aí, etc.etc.etc.”.
Calma companheiro, sou solidário a você, porém esta seleção absurda, e às vezes desleal, sempre foi assim. O mundo bate na gente de frente e quem tiver mais sorte vai se dar bem nele.  Sorte, aqui, significa a somatória das oportunidades mais as competências em aproveitá-las.
Neste caso faço uma sugestão; veja o mundo como um grande parque de diversões: há brinquedos emocionantes, outros chatos e repetitivos, brinquedos sem graça e quase parados, outros que nos dão coragem e aqueles que nos dão medo, há muitos perigosos e alguns não tão perigosos assim... mas há brinquedos para todos. Aqueles que forem “educados” para prestar atenção em todos eles, avaliar sempre os que gostaria de experimentar, permitir-se a experiência e o aprendizado com o erro, vai brincar mais. Com certeza será mais responsável e ao fim do dia de brincadeiras terá aproveitado muito melhor o parque. Acredite na autonomia do outro.

Quer saber?! Educar um filho é como estrear um espetáculo teatral diariamente: a gente ensaia, ensaia, ensaia, acha que decorou o texto, aprendeu o que devia e parte para estréia. Ficamos nervosos, as vezes erramos, outras acertamos, as vezes somos aplaudidos e outras somos vaiados e algumas vezes nem chamamos a atenção. No entanto o que importa é manter o compromisso em fazer, ser e dar o melhor de si, prestar atenção em quem contracena conosco e principalmente ter a coragem de ver, ouvir e sentir atentamente a “deixa” do outro.
Amigo leitor, sugiro que seja honesto em dizer ao seu filho que não sabe tudo, busque a generosidade em permitir que ele brinque nos vários brinquedos, tente ser inteligente em conviver de maneira original, seja recíproco em participar de algumas cenas da vida dele, comunicativo e claro ao passar para ele as mensagens que achar importantes além de silencioso e receptivo para também receber dele dicas fundamentais.
Esteja sempre focado em cultivar a liberdade de ser – sua e dele.
Se vai dar certo, não sei... mas que há nessa proposta uma chance de você estar construindo  uma grande obra de arte...eu não tenho dúvidas!  





Dr. Daniel de Almeida Santiago
É Psicólogo formado pela UMC, possui Especialização em Gestão de Pessoas - SENAC, Formação em Terapia Cognitivo Comportamental